Entenda esta condição
A síndrome da dor femoropatelar (SDFP) é uma das causas mais comuns de dor na parte anterior do joelho. Costuma piorar ao subir/ descer escadas, agachar, correr e permanecer muito tempo sentado (o chamado “sinal do cinema”). Em geral, a dor decorre de sobrecarga na articulação entre o fêmur e a patela (rótula) associada a alterações de alinhamento e controle do movimento.
Sintomas comuns
- Dor na frente do joelho
- Piora ao ficar muito tempo sentado
- Sensação de pressão
Causas e fatores de risco
Os fatores que mais contribuem incluem:
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Fraqueza e desequilíbrios musculares — especialmente em quadríceps, glúteos (médio/máximo) e core;
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Biomecânica desfavorável — valgo dinâmico do joelho, rotação interna do fêmur, pronação excessiva do pé, cadência baixa na corrida;
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Aumento abrupto de carga (volume, intensidade, terreno) em treinos ou trabalho;
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Tensão de tecidos laterais (retináculo lateral, banda iliotibial) dificultando o deslizamento da patela;
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Fatores psicossociais como cinesiofobia (medo de se movimentar), expectativas negativas e estratégias de enfrentamento pouco eficazes.
Sem manejo adequado, a SDFP pode tornar‑se persistente, limitar treinos e atividades diárias e gerar compensações em quadril e tornozelo.
Como tratamos isso na clínica de Fisioterapia Reab?
Na Clínica Reab, em Florianópolis, adotamos uma abordagem completa, biomecânica e psicossocial, para tratar a SDFP com precisão. O plano é individualizado, guiado por avaliação funcional e por metas claras de dor, função e performance.
Como estruturamos o plano terapêutico
Fase 1 — Reduzir dor e irritabilidade
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Educação: explicamos a natureza da dor femoropatelar e definimos um plano de gestão de carga (ajuste temporário de volume, intensidade, amplitude e frequência).
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Técnicas manuais e liberação miofascial para retináculo lateral, quadríceps e banda iliotibial, associadas a mobilizações patelofemorais para melhorar o deslizamento da patela.
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Eletroterapia e crioterapia quando indicadas, para conforto.
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Taping patelar (quando adequado) para alívio sintomático inicial e melhor orientação do movimento.
Fase 2 — Fortalecimento e controle motor
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Quadríceps (ênfase em boa técnica, sem “forçar” dor) e glúteos (médio/máximo) para controlar valgo dinâmico e rotação do fêmur;
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Core para estabilidade lombo‑pélvica e melhor transferência de força;
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Progressão de exercícios: iniciamos com cadeias fechadas e amplitudes confortáveis, evoluindo para ângulos maiores e cargas graduais;
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Treino de controle motor: agachar, subir degraus, aterrissagem de saltos e mudanças de direção com feedback para manter joelho alinhado (joelho sobre o pé).
Fase 3 — Mobilidade seletiva e técnica
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Alongamentos específicos (flexores de quadril, panturrilha) e mobilidade de tornozelo/quadril quando restrições aumentam a sobrecarga patelar;
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Reeducação da corrida (quando aplicável): aumento leve de cadência, redução de overstride, contato mais silencioso com o solo;
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Calçados e palmilhas: orientações individualizadas; em alguns casos, suporte plantar pode auxiliar na redução de sintomas.
Fase 4 — Retorno à função e ao esporte
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Pliometria de baixa a moderada intensidade e drills específicos (agachamentos mais profundos, saltos, trocas de direção) com critérios objetivos: dor ≤ 2/10 durante e até 24–48h após, técnica consistente, sem aumento de inchaço/rigidez.
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Programa de manutenção: força de quadríceps e glúteos, controle motor e gestão de carga para prevenir recidivas.
Abordagem psicossocial (dor persistente/quadros crônicos)
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Educação em dor e exposição gradual ao movimento, trabalhando cinesiofobia e construindo confiança;
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Estratégias práticas para sono, estresse e ritmo de atividades (pacing).
Diferenciais da Clínica de Fisioterapia Reab
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Avaliação biomecânica e psicossocial integrada: entendemos tanto o movimento quanto os fatores que modulam a dor.
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Plano centrado no paciente: metas por fase, exercícios factíveis para sua rotina, comunicação clara e reavaliações periódicas.
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Foco em desempenho e prevenção: correção de técnica, periodização de treinos e manutenção de força/controle para evitar recidivas.
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Equipe experiente e estrutura moderna: progressões seguras, feedback de qualidade e acompanhamento próximo.
FAQ
1) SDFP é o mesmo que “condromalácia”?
Não exatamente. Condromalácia descreve alterações da cartilagem vistas em exames; a SDFP é um diagnóstico clínico de dor anterior no joelho. Você pode ter dor sem alterações relevantes no exame — e, ainda assim, melhorar muito com reabilitação.
2) Preciso parar de correr?
Nem sempre. Ajustamos volume, intensidade, terreno e cadência, e usamos cross‑training quando necessário. A regra é progredir sem piora importante de 24–48h.
3) Fortalecer o “VMO” é a solução?
Fortalecer o quadríceps como um todo e, sobretudo, os glúteos costuma ter mais impacto no alinhamento dinâmico do joelho. Trabalhamos cadeia completa (quadril‑joelho‑pé), não apenas um músculo isolado.
4) Por que dói ao sentar muito tempo?
Com o joelho flexionado, a pressão patelofemoral aumenta. Alternar posições, levantar-se periodicamente e manter força/controle ajuda a reduzir o incômodo.
5) Temo piorar se mexer — devo evitar exercícios?
Movimento bem dosado é parte do tratamento. Usamos a “zona segura de dor” (desconforto leve e transitório) e progressões graduais para ganhar capacidade sem agravar.
6) Preciso de exame de imagem?
Nem sempre. O diagnóstico é clínico na maioria dos casos. Exames são úteis quando há dúvidas, falha terapêutica ou suspeita de outras condições. A decisão é compartilhada com o médico.
7) Joelheiras e fitas ajudam?
Podem aliviar temporariamente e melhorar a percepção de alinhamento. Funcionam melhor associadas ao programa de fortalecimento e controle motor.
8) Quanto tempo para melhorar?
Varia conforme gravidade, tempo de sintomas e adesão. Muitos notam alívio em semanas; consolidação para impacto e agachamentos profundos pode levar semanas a alguns meses. Guiamos pela função e resposta pós‑atividade, não só pelo calendário.