Entenda esta condição
A síndrome do impacto femoroacetabular (IFA) ocorre quando existe contato anormal entre a cabeça/colo do fêmur e o rebordo do acetábulo (encaixe do quadril). Esse “atrito” gera pinçamento de estruturas internas, provocando dor profunda na virilha (às vezes lateral do quadril ou glútea), rigidez e limitação de movimento, especialmente em flexão, adução e rotação.
Com o tempo, a IFA pode desgastar a cartilagem e causar lesões do labrum acetabular, comprometendo a mobilidade e a performance, principalmente em pessoas ativas e atletas.
Sintomas comuns
- Dor na virilha
- Limitação para flexionar
- Estalos no quadril
Causas e fatores de risco
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Morfologias ósseas: tipo cam (excesso no colo femoral), pincer (excesso no rebordo acetabular) ou misto.
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Microtraumas repetitivos: gestos esportivos com pivôs, agachamentos profundos e mudanças rápidas de direção.
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Alterações de controle e mobilidade: déficit de glúteos, rotadores do quadril e core, mobilidade seletiva reduzida (rotação interna/extensão).
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Padrões de movimento e carga desajustados (amplitude/técnica/volume).
Como tratamos isso na clínica de Fisioterapia Reab?
Na Clínica Reab, em Florianópolis, o cuidado é totalmente individualizado. Iniciamos com avaliação detalhada do quadril e da região lombo‑pélvica, pois a coluna e a pelve podem influenciar diretamente os sintomas. Utilizamos o Método McKenzie para investigar e tratar possíveis contribuições lombo‑pélvicas que perpetuam a dor do quadril.
Objetivos do programa: reduzir a dor, melhorar a função articular, proteger o labrum/cartilagem e prevenir agravamentos.
Como estruturamos o plano terapêutico
Fase 1 — Reduzir dor e irritabilidade articular
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Eletroterapia e crioterapia/calor (conforme resposta) para analgesia.
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Técnicas manuais e mobilizações suaves para diminuir rigidez capsular e aliviar o pinçamento.
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Educação e modulação de carga: ajustar amplitudes (evitar agachamentos muito profundos e pivôs com o quadril flexionado), orientar posturas de alívio e pausas ativas.
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McKenzie (lombo‑pélvico): identificar direções de movimento que reduzem a dor referida ao quadril, quando presentes.
Fase 2 — Mobilidade seletiva e controle motor
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Ganho de mobilidade dirigida (ex.: rotação interna/externa, extensão) sem provocação de pinçamento.
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Ativação de glúteo médio e máximo e controle de core (transverso/oblíquos) para estabilizar a pelve e centralizar a articulação.
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Reeducação de padrões: hinge de quadril, agachar com amplitude segura, levantar‑se, subir degraus — minimizando cisalhamento no labrum.
Fase 3 — Fortalecimento progressivo e estabilidade dinâmica
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Fortalecimento isotônico de glúteos, rotadores profundos, adutores e cadeia cinética (quadríceps, isquiotibiais, panturrilhas).
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Propriocepção e estabilidade em apoio unipodal e tarefas com perturbação controlada.
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Treino técnico (corrida, mudanças de direção) com ajuste de cadência, passo e controle do tronco/quadril.
Fase 4 — Retorno à função e ao esporte (critérios‑guiado)
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Progressão de impacto (caminhada → trote → corrida) e pliometria leve, respeitando a resposta de 24–48h (sem piora tardia).
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Critérios de avanço: dor ≤ 2/10 nas tarefas, sem recrudescimento noturno, força/controle simétricos, padrão técnico preservado e confiança do paciente.
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Plano de manutenção para prevenir recidivas (força de glúteos/rotadores, mobilidade seletiva, técnica e periodização).
Recursos utilizados na Reab
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Exercícios de fortalecimento dos músculos do quadril e controle motor da região lombo‑pélvica.
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Correção de padrões de movimento e reeducação funcional.
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Técnicas manuais/mobilizações para amplitude e alívio de sobrecarga.
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Eletroterapia como suporte analgésico, quando necessário.
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Método McKenzie para avaliar/tratar influências lombares e pélvicas.
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Gestão de carga (amplitude, volume, cadência) e educação para hábitos protetivos.
Quando indicado, mantemos comunicação com o médico para discutir exames (ex.: RM) e condutas complementares. Em casos selecionados, tratamentos invasivos são decisão médica; a fisioterapia é essencial antes e depois para otimizar resultados.
Diferenciais da Clínica de Fisioterapia Reab
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Visão integrada quadril–coluna–pelve com aplicação do Método McKenzie quando apropriado.
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Plano centrado no paciente: metas por fase e exercícios factíveis para a sua rotina e esporte.
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Equipe experiente em reabilitação musculoesquelética e esportiva, com prática baseada em evidências.
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Estrutura moderna para progressões seguras de força, mobilidade e estabilidade.
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Prevenção embutida no tratamento: técnica, periodização e manutenção para evitar agravamentos.
FAQ
1) IFA é a mesma coisa que lesão de labrum?
Não. A IFA é o mecanismo de pinçamento (osso contra osso) que pode levar a lesões do labrum e da cartilagem. Elas frequentemente coexistem, mas são conceitos diferentes.
2) Preciso operar?
Muitos casos respondem bem ao tratamento conservador com ajustes de mobilidade seletiva, fortalecimento (glúteos/rotadores/core), técnica e gestão de carga. Cirurgia é considerada pelo médico quando há falha persistente após um programa completo de reabilitação.
3) Posso agachar e correr?
Geralmente, sim — com amplitude controlada, ajustes de técnica e progressão guiada pela resposta de 24–48h. Evitamos agachamentos muito profundos e pivôs com o quadril em flexão nas fases irritativas.
4) Alongar ajuda ou piora?
Mobilidade dirigida ajuda quando há restrição específica. Alongar em amplitudes provocativas (que geram pinçamento) pode piorar. Combinamos mobilidade seletiva com fortalecimento e controle.
5) Quanto tempo leva para melhorar?
Depende da gravidade, tempo de sintomas e demandas. Muitos relatam alívio em semanas; consolidação para gestos de alto impacto/pivôs pode levar semanas a alguns meses. Usamos critérios funcionais, não só o calendário.
6) A lombar pode causar dor no quadril?
Sim. Alterações lombo‑pélvicas podem reproduzir ou perpetuar a dor no quadril. Por isso aplicamos o Método McKenzie para identificar e tratar essas contribuições quando presentes.
7) Quais movimentos tendem a agravar?
Agachamentos profundos, pivôs rápidos com quadril flexionado, cruzar pernas por longos períodos e sentar muito baixo. Ajustamos técnica, amplitude e cadência para proteger a articulação.
8) Quais sinais pedem reavaliação médica?
Travamentos frequentes, perda de força progressiva, dor noturna persistente, falha em progredir apesar da adesão — nesses casos, reavaliamos e, se necessário, alinhamos com o médico.